Ocaso de verão

Uma verdade sobre amar quem não merece. Quando você se ama no outro e esquece de se amar, e quando se dá conta, você se auto-destruiu por alguém que nem valia a pena.

O calor infernal da noite despertou-me
Olhei pela janela quase derretida
Vi no meu quintal um anjo despencando
E suas asas carcomidas

Vesti meu roupão e saí esfregando os olhos.
Ao me aproximar, o anjo tentou mover-se,
Tateou hematomas brilhantes em seu corpo
E várias feridas sem conter-se

Arrastei-o para meu leito
Com cuidado para com seu lindo corpo de luz
Cuidei de suas aflições
E ofereci tudo o que tinha eu de homem só e jus

O anjo radiava beleza
E minha vida entrava por aquelas feridas
Eu ficava cheio de uma estranha fraqueza
Enquanto ele brilhava mais ainda,

Fez de minha casa seu paraíso
e usava de mim para um prazer banido
sua luz passou a me envelhecer!
um humano solitário e um anjo caído

O silêncio de um retrato
Que repousa junto às roupas na mala
Não é esta minha amargura
É somente a vida que desbotou em gotas de maldade
A caixinha de música que toca balé para ninguém
E a bailarina que dança rio abaixo de saudade
Não sou perfeito, não nasci anjo
Nem os anjos são felicidade.

Poemas em português Poemas insanos

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